De: José Carlos Martins
Data: 27 de Outubro 2009
Olá Mestre Cesar,
Há já algum tempo que tenho pesquisado as vossas actividades através da internet, e devo confessar que me bate a saudade de tempos passados. Sinto-me na obrigação de escrever estas poucas palavras, que espero tenham algum significado para si, pois para mim, têm.. Tenho saudades,… dos dias em que para mim e para todos os da ” antiga escola “, eu, Toni, Nuno, Tiago, Zé Pedro, e muitos outros, ir ao treino não era uma obrigação, mas sim um prazer imenso. A semana nunca era demasiado curta para que o dia do treino chegasse. Pois era ai onde encontravamos os amigos. As horas passadas no dojo, eram para mim “motivo de motivação”. Os estágios seguidos de convivios eram como que um encontro familiar onde podiamos contar com as pessoas. Os campeonatos eram alvo da nossa maior admiração, dos quais ouviamos histórias contadas por si, e que nos faziam também querer ser “grandes”.
Sinto falta de sentir o soalho frio do dojo nos pés, mas de não lhe dar importância. Sinto falta do suor e do esforço fisico, e de querer sempre mais. Sinto falta do nervosismodurante os exames, mas de estar confiante com a sua presença. Sinto falta do balneário, e das conversas que só ali se proporcianavam.
Enfim… sinto falta dos amigos de então…
Hoje tenho saudades,… mas agrada-me o facto de essa ” Familia ” não ter desaparecido, mas sim ter prosperado e acolhido novos membros, os quais têm sabido honrar o Karate e em especial o “nosso” Dojo. Por tudo isso, e sentir que estou em falta para com todos os que por ai continuam, decidi escrever estas poucas, e talves aborrecidas palavras, mas precisava fazê-lo.
Mestre, deixo aqui os meu agradecimento por ter tido força e sabedoria suficiente, para ter levado o seu sonho a bom porto, e por não “nos” abandonar. Precisamos de si, o Karate precisa de si, os jovens precisam de si. Obrigado pela sua amizade. Saudações a todos os seus alunos, pois têm a sorte de o ter como amigo.
Aquele abraço….
José Carlos Martins
De: Tiago Alves
Data: 5 de Novembro 2009
Hoje dou por mim a ver escolas e praticantes que se vangloriam das medalhas dos títulos como se isso fosse algo digno desta arte, … lembro sempre as palavras sábias do meu sensei : “O karate e eu não formamos campeões mas sim pessoas, e é com isto que eu quero continuar”.
Quantos como eu se lembram de que quando iniciámos,quando não existiam títulos de qualquer espécie, não existiam “estrelas” no dojo , mas existia aquilo que cada vez mais tem vindo a desaparecer….éramos uma verdadeira família, onde o código de conduta da arte marcial era transportado para fora do dojo, e visível nos nossos relacionamentos e comportamentos
Com isto deixo aqui o alerta para os tais campeões, que de peito levantado percorrem os dojos a nível nacional:
- Quando as limitações físicas inerentes à idade, ou a outros factores, não vos permitirem sequer carregarem as medalhas passadas que tanto se orgulham, o que é que vos fica do percurso de aprendizagem do Karate?
- Será que vão passar a vida a recordar o passado?
Eu, graças ao meu Sensei e à forma como me transmitiu o verdadeiro sentido do Karate,( o qual se puder desejo continuar a transmitir, seguindo o lema que « … através de uma chama simples de uma vela, que conseguimos acender todas as outras de forma a iluminar o mundo…») consegui construir um verdadeiro sentido de amizade e família, e é por isso que não me canso de dizer:
OBRIGADO SENSEI, NÃO PELO KARATE QUE ME ENSINAS-TE MAS SIM PELA PESSOA QUE O KARATE ME TORNOU!
Tiago Alves
Aluno e amigo de sensei César Olival














